É estranho vê-lo todos os dias. Toda vez que saio de manhã para ir a escola, ele está indo pelo mesmo caminho que eu. De terno e gravata vermelha (é sempre a mesma gravata), não tem um ar de ser daqui. É jovem, o que me faz estranhar ainda mais o motivo das vestes. Tem cabelo preto e olhar distrado. Só não se distrai quando olha pra mim. Já me conhece. De olhares, da rua mesmo. Carrega uma maleta cinza. Deve ser advogado. Tenho o vÃcio de advinhar a profissão das pessoas sem nunca ter conversado com elas. Quando volto para casa, vejo ele entrando no carro. E sempre parando pra olhar para mim.
Eu acho graça. A gente vê no que dá.
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O amor é a coisa mais divina da vida. É a razão de nossa existência. A coisa mais importante da nossa passagem pela Terra. Blá, blá, blá. Tudo papo furado. Tá bom, talvez seja. Mas não pra mim agora. Corredor da escola parece motivo de chantagem quando o vejo na porta da sala de aula. Ai, eu não entro. Volta e meia o pego olhando para mim, quando correspondo, ele desvia. Falar comigo então? Nem pensar! A turma dele é a mesma que a minha, mas eu tenho uma certa capacidade de viver mais isolada do que ele. Porém, toda vez que vou me juntar com o pessoal, ele sai de perto. Eu sei, é um dilema. E não sei até quando será assim. O fato é que está sendo difÃcil esse rompimento todo. E ele tem razão. Porque a culpa foi minha, só minha e eu até acho justo que ele finja que eu não existo. É ruim estar invisÃvel. mas talvez precise ser assim por um bom tempo. Ou pra sempre…(?)
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